Uma das instituições filantrópicas mais antigas de Niterói completou 61 anos de atividades gratuitas ininterruptas. A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Niterói atua na a atenção, assistência, promoção, defesa e inclusão de pessoas com deficiência intelectual e múltipla e de autistas. Situada na Rua Prof. Ismael Coutinho s/n., no Centro, em Niterói, em um prédio cedido pela Prefeitura, a entidade oferece serviços de clínica geral, neurologia, psicologia, fisioterapia, fisiatria, fonoaudiologia, terapia ocupacional, estimulação precoce, assistência social, psicopedagogia, pedagogia, apoio pedagógico, educação física, teatro e música.
A Apae é uma entidade civil, sem fins lucrativos e de utilidade pública, fundada em Niterói em 2 de agosto de 1965, por um grupo de pais e pela professora Rosa Abi-Ramia Haddock Lobo (primeira presidente da associação). Presidência, Diretoria e Conselho são sempre voluntários em seus cargos – totalizando 19 pessoas – e cumprem mandatos de três anos. Desde os início dos anos 2000, a Apae Niterói – bem como outras unidades filantrópicas de atendimento a PCDs – foram incorporadas à rede do Sistema Único de Saúde (SUS) e se tornaram unidades de saúde, financiadas pelo Governo Federal, o que possibilitou sua melhor estruturação.
A unidade niteroiense conta hoje com 40 profissionais remunerados, entre administrativos e corpo técnico, mais de 300 pessoas com deficiência assistidas por mês e um total de mais de mil atendimentos médico-terapêuticos, inclusive aos familiares diretos dos PCDs assistidos. Tudo isso mantido com R$ 54 mil mensais advindos do Ministério da Saúde e mais as contribuições espontâneas, incluindo doações via conta de energia elétrica pelos clientes da Enel, que acrescentam uma média de R$ 20 mil por mês à arrecadação. À parte disso, ainda acontecem na instituição, vindas de iniciativas externas e outros meios de patrocínio, aulas de muay thai e capoeira (projetos financiados por lei de incentivo), balé (projeto de fomento da Fundação da Infância e Adolescência/ FIA) ioga e dança (por meio de emenda parlamentar), além de artes plásticas.
Hoje, a Apae Niterói vive no seu limite financeiro, em que as despesas com frequência chegam a superar a receita. Eventualmente, emendas parlamentares cumprem um papel fundamental para positivar as contas. Anualmente, em datas comemorativas, principalmente no aniversário da instituição, artistas de projeção nacional oferecem sua imagem e sua música para angariar verbas para a associação, além de darem visibilidade à causa, entre eles Sylvinho Blau-Blau (banda Absyntho), Avellar Love (banda João Penca & Seus Miquinhos Amestrados), José Henrique (banda Yahoo), Marcos Vivan, Bloody Mary, Rosana e Byafra. Também são importantes parceiros o Praia Clube São Francisco, onde realizam-se os shows beneficentes, o Clube Central, que promove bingos e festas com renda revertida, o Instituto Gay Lussac, responsável pelo auxílio ao financiamento de obras na sede da instituição por meio de eventos beneficentes, e mais outras empresas mencionadas com gratidão no site www.apaeniteroi.com.br.
“A Apae representa amor, família, dedicação, força, união, enfim, tudo de mais valoroso para mim”, exclama a presidente da Apae Niterói, Sonia Maria Saraiva dos Anjos, que cumpre seu terceiro mandato não-consecutivo. Nutricionista aposentada, Sonia é voluntária da entidade desde 1984, quando coordenava o Baile da Ternura, evento filantrópico promovido pela Loja Maçônica Evolução número 2.
O movimento apaeano é o maior do Brasil em prol das pessoas com deficiência intelectual e múltipla. São mais de 2.200 unidades no país, com a missão de promover e articular ações em defesa dos direitos das pessoas com deficiência e em apoio às famílias, por meio de serviços e orientação, visando à construção de uma sociedade mais solidária e justa, com inclusão, acessibilidade, oportunidades, protagonismo e cidadania a este segmento.
O objetivo inicial das Apaes era oferecer educação e apoio a pessoas com Síndrome de Down, mas sua atuação se ampliou ao longo das últimas duas décadas e atualmente oferta também serviços em saúde e assistência social para pessoas com deficiência intelectual e múltipla, bem como autismo. A instituição adota como símbolo, em seu logotipo nacional, a figura de uma flor margarida, ladeada por duas mãos desniveladas: uma em posição de amparo e outra de orientação; embaixo, há dois ramos de louro com o número de folhas igual ao de estados brasileiros mais o distrito federal.
O Dia Nacional das Apaes é comemorado anualmente em 11 de dezembro, como estabelece a Lei Federal nº 10.242 de 2001. É a data de surgimento de sua primeira unidade no Brasil, em 1954, na capital carioca. Já o termo “excepcional”, antes referente a pessoas com impedimentos, dificuldades ou atrasos no desenvolvimento, de natureza física e/ou intelectual, caiu em desuso, apesar de ter sido mantido no nome da instituição. Tal designação foi substituída por outras até que evoluiu para a expressão “pessoa com deficiência”, chancelada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2006, a qual evidencia que o deficiente é, antes de tudo, um ser humano.